Macau · Política e diversificação

A visão de futuro de Macau: menos cassino no PIB, mais turismo internacional e cortes administrativos

2026-08-23 · 7 min de leitura

Por Redacción KingNews

Tradução automática do espanhol.
A visão de futuro de Macau: menos cassino no PIB, mais turismo internacional e cortes administrativos

O governo de Sam Hou Fai estabelece uma meta que soa como heresia na capital mundial do jogo: que 60% do valor agregado da economia seja não-gaming em 2030. Com reforma da máquina pública, o modelo “1+4” e 5% a mais de turistas internacionais ao ano.

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Passou-se um ano e meio desde que tomou posse o novo governo de Macau, chefiado por Sam Hou Fai, até então presidente do Tribunal de Última Instância. É um dado que convém lembrar: quem comanda hoje a cidade com a maior receita de jogos do planeta não vem dos negócios nem da política tradicional, vem do Judiciário.

Sua administração resumiu a ambição em quatro palavras que já estão inseridas no plano quinquenal: construir uma Macau definida pelo “Estado de direito, pela vitalidade, pela cultura e pela felicidade”.

A pergunta que as ruas de Macau fazem é a mesma que qualquer pessoa faria: como esse macrosslogan se traduz em políticas concretas, diante de uma administração pública pesada e de um comércio de bairro que não consegue se recuperar?

Fachada iluminada del Casino Lisboa en Macao de noche
El Lisboa, símbolo de la Macao del siglo XX. El plan quinquenal apunta justo en la dirección contraria.

Primeira frente: passar o pente-fino no aparelho público

Sob o guarda-chuva do “Macau do Estado de direito”, a reforma da administração pública é a política de destaque. O governo criou um mecanismo específico para “dirigir e coordenar a reforma administrativa”, com reestruturação institucional, fusão de departamentos e reengenharia de procedimentos sob um princípio declarado: simplificar e ganhar eficiência.

O caso mais emblemático é a fusão da Direção de Assuntos Jurídicos com a Imprensa Oficial. Após a primeira fase, a estrutura passou de “nove departamentos e catorze divisões” para “cinco departamentos e quatro divisões”, e a equipe diretiva foi reduzida de seis membros para três.

Não se trata apenas de um corte de organograma. É a resposta a uma queixa de anos dos residentes: a lentidão burocrática. Ao mesmo tempo, o executivo insiste que o marco legal de segurança nacional necessita de mais otimização e o apresenta como pedra angular da governança e motor da coordenação entre departamentos.

O modelo “1+4”: o cassino paga a festa, mas deixa de ser a festa

Macau mantém o modelo de desenvolvimento econômico conhecido como “1+4”. O “1” é a indústria de turismo e lazer integrado — ou seja, o negócio dos resorts com cassino —, que continua sendo o pilar central. Os “4” são os setores emergentes que devem crescer à sua sombra: medicina tradicional chinesa e saúde, finanças modernas, indústrias de alta tecnologia e o bloco de convenções, exposições, comércio, cultura e esportes.

A diferença em relação ao governo anterior está no tom. A administração de Sam Hou Fai deixou claro que o objetivo já não é uma diversificação de fachada, mas sim avanços substanciais e de ruptura na reestruturação econômica.

Com as concessionárias, a postura é mais pragmática e mais exigente ao mesmo tempo: o governo se compromete a fiscalizar o cumprimento integral de suas obrigações contratuais e seus compromissos de investimento, tanto em jogos quanto em projetos não relacionados a jogos. Haverá revisões periódicas interdepartamentais que avaliarão cada operadora por sua contribuição para a diversificação econômica, a atração de turistas internacionais, o emprego local e o apoio às PMEs.

E depois há o número que resume toda a estratégia: a meta de que, em 2030, 60% do valor agregado da economia de Macau provenha de atividades no-gaming. Na cidade que durante duas décadas foi sinônimo de bacará, esse número é uma enorme declaração de intenções.

Para financiar isso, o executivo propõe um fundo de incentivo público que atraia capital privado para a saúde, finanças de nicho, alta tecnologia, exposições e cultura, deixando que o mercado acelere o que o orçamento não pode.

Eje del planContenidoMeta declarada
Reforma administrativaFusiones de departamentos y reingeniería de procesosDe 9 departamentos y 14 divisiones a 5 y 4
Modelo 1+4Turismo integrado + salud, finanzas, tecnología, MICE/cultura/deporte60% de valor añadido no-gaming en 2030
Economía de barrioSupervisión pública, inversión empresarial, planificación comunitariaZonas comerciales agrupadas y distritos temáticos
Turismo internacionalSudeste y Nordeste Asiático, países lusófonos e hispanohablantes+5% anual de visitantes internacionales 2026-2030
ConcesionariasRevisión interdepartamental periódicaCumplimiento de inversión gaming y no-gaming

O ponto fraco: o comércio de bairro não decola

Enquanto os indicadores macroeconômicos melhoram, a economia comunitária continua sendo o grande problema da vida cotidiana. Após a reabertura total das fronteiras, o consumo local integrou-se ao mercado continental: o morador de Macau cruza a fronteira e gasta em Zhuhai, e os distritos comerciais tradicionais perderam o fôlego.

O governo anterior tentou revitalizar os bairros antigos com resultados de curto alcance. A administração atual reconhece abertamente que eventos comemorativos pontuais e estímulos temporários não resolvem uma fragilidade estrutural.

Sua alternativa é um modelo tripartite: supervisão e coordenação do governo, aporte de recursos por parte das empresas e planejamento a partir da própria sociedade civil. As medidas concretas incluem o desenvolvimento coordenado de zonas comerciais agrupadas, a criação de distritos de consumo temáticos e um ecossistema de “grandes empresas que empoderam pequenos negócios”.

Vista aérea de un piso de juego lleno de mesas de bacará en Macao
El piso de juego sigue pagando las cuentas de la ciudad. El plan consiste en que en 2030 pese menos en el PIB.

Turismo internacional: o novo objetivo é que o visitante não seja chinês

O governo repete que o turismo internacional é um pilar vital para o futuro de Macau. Identificou o Sudeste Asiático e o Nordeste Asiático como mercados emissores prioritários e trabalha para ampliar a chegada de visitantes de países de língua portuguesa, regiões de língua espanhola, Europa, América e mercados muçulmanos.

As visitas oficiais do chefe do executivo a Portugal e Espanha no início do ano não foram mero protocolo: são exatamente essa estratégia. E para a América Latina o sinal é duplo, porque Macau traz em seu DNA institucional o vínculo lusófono e agora o estende explicitamente ao mundo hispânico.

O plano inclui estudos sobre mercados emergentes como a Ásia Central, produtos turísticos competitivos, ampliação da rede de rotas aéreas, melhor aproveitamento dos direitos de tráfego aéreo, voos de conexão e facilidades de trânsito.

A meta quantitativa é um crescimento sustentado de 5% ao ano na chegada de visitantes internacionais entre 2026 e 2030.

Crupieres atendiendo una mesa electrónica de Sic Bo en un casino de Macao
Sic Bo con display electrónico: la mesa asiática clásica ya convive con la instrumentación digital.

Leitura para a indústria latino-americana

A agenda do governo de Macau abrange reforma administrativa, diversificação econômica, revitalização comunitária, desenvolvimento conjunto com Hengqin e expansão de mercados globais. No papel, é um roteiro sistêmico e bem articulado; na prática, dependerá da execução, da coordenação institucional e, acima de tudo, da capacidade de equilibrar a prosperidade dos jogos com a transformação industrial da cidade.

O aprendizado para qualquer operador ou regulador da nossa região é direto: Macau, que poderia viver confortavelmente do bacará, está gastando capital político para deixar de depender dele. Não porque o cassino a incomode, mas porque uma economia de um único produto é uma economia frágil, e a pandemia demonstrou isso com brutalidade.

Quando um governo se senta para negociar uma licença hoje, a conversa já não gira em torno da porcentagem de imposto sobre o jogo. Gira em torno de quantos congressos, quantos empregos locais e quanta indústria colateral o projeto traz. Quem não souber contar essa parte não consegue a licença.

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